VIDA AOS FRACOS


Não faz muito tempo que encontrei pelas ruas da nossa cidade uma jovenzinha em uma situação extremamente humilhante, tal jovem levava consigo um bebê sob o sol escaldante, tentava ganhar um dinheirinho para se manter ou, apenas para comprar o leite para a criança. Ao observar cenas como esta, é possível que sejamos levados a pensamentos discriminatórios, e tantas outras especulações quanto à debilidade alheia. Há pessoas que relacionam a situação atual do individuo a atos cometidos no passado, esforçam-se para explicar o motivo de tanto sofrimento de algumas pessoas usando expressões como “era isso que merecia, pois não se cuidou, ficou se envolvendo com qualquer pessoa, veja o que aconteceu”. Frases parecidas com esta são pronunciadas frequentemente no nosso dia a dia.
Muitas vezes fomentamos a ideologia de que os fracos merecem o pior e os fortes sempre merecem o melhor, cada vez mais se aproximando de um conceito filosófico definido pela frase “morte ao fraco e vida ao forte”. Inúmeras injustiças foram feitas no mundo por pessoas que desenvolveram pensamentos complexos, filosofias que davam lugar a práticas horríficas como assassinatos de recém nascidos, abandono de bebês que nasciam com deficiências físicas ou sem uma aparência saudável, estes quando tinham um pouco de sorte eram adotados por mendigos com propósito de mais tarde serem usados como fonte de renda através da mendicância, mexendo com o emocional de alguns cidadãos que pelo fato de terem abandonado seus filhos deficientes, poderiam oferecer-lhes esmolas generosas por pressuporem que poderiam ser seus filhos. Quantos ainda hoje usam essa filosofia de forma camuflada para desprezarem pessoas que não conseguem uma vida de sucesso e são consideradas fracas pela a sociedade.
Para Deus os fracos não devem morrer, não merecem a morte pelo o fato de terem praticado ações que evidenciam fraquezas, o Senhor da uma oportunidade de reabilitação para todos. Certa vez uma mulher foi encontrada em flagrante no ato de adultério, os escribas e fariseus a levaram até Jesus para que fosse julgada por Ele, embora a intenção deles por traz deste ato era de o colocarem em uma armadilha, pois a lei mosaica condenava à morte qualquer pessoa que fosse apanhada em adultério, mas o Império Romano, que naquela época dominava Israel, por sua vez, não permitia a alguém condenar outro à morte sem a permissão das autoridades. Dessa forma, se o Senhor dissesse para matarem a mulher, poderiam acusá-lo de ter desrespeitado as autoridades romana, e se dissesse para não a matarem, o acusariam de contrariar a lei mosaica, porém o Senhor Jesus se preocupou com aquela mulher e demonstrou àquelas testemunhas que não tinham condições de condenar alguém, e não eram dignas de atirarem uma pedra sequer contra aquela mulher que foi pega em um momento de fraqueza.
Jesus não defendeu o pecado daquela mulher, todavia teve misericórdia dela enquanto todos a estavam desprezando e humilhando. Ele não deixou que ninguém a tocasse para lhe fazer mal, porém aconselhou-a dizendo: “vai e não peques mais”. Isso é uma evidencia de que o Senhor não aprova ações equivocadas, no entanto, ama o ser humano, e por mais fraco que seja o homem o Senhor lhe estende a mão e lhe da uma nova oportunidade.

Marciel Gama (Ministro do Evangelho na Igreja Assembléia de Deus Professor de Teologia no IBADEP, Colunista do Jornal de Arapoti, Bacharel em Administração)
www.evangelistamarcielgama.blogspot.com